por Sandra Jouan, diretora do Ibase
Em 2016, o Brasil assistiu à interrupção do mandato da presidenta Dilma Rousseff por meio de um processo que, embora revestido de legalidade institucional, é reconhecido por amplos setores da sociedade como um golpe contra a democracia em nosso país.
Sem a comprovação de crime de responsabilidade que justificasse o afastamento de uma presidenta eleita por mais de 54 milhões de votos, o impeachment de Dilma não representou apenas a queda de um governo. Ele abriu caminho para o aprofundamento de um projeto político e econômico comprometido com a retirada de direitos, a ampliação das desigualdades e o enfraquecimento da participação popular nas decisões do país.
As consequências desse processo seguem presentes: o aprofundamento da polarização política, o enfraquecimento da confiança nas instituições democráticas e a contribuição para a ascensão de forças autoritárias no país. Também ajudou a consolidar um ambiente de violência política, marcado por ataques sistemáticos a defensoras e defensores de direitos humanos, movimentos populares e lideranças políticas.
O componente misógino presente durante todo o processo também não pode ser ignorado. Dilma Rousseff foi alvo de uma campanha de deslegitimação marcada pelo machismo e pela violência política de gênero, evidenciando como estruturas patriarcais continuam operando nas disputas de poder no Brasil.
Em um ano em que teremos eleições majoritárias, relembrar o golpe de 2016 é mais do que revisitar um episódio histórico. É reafirmar a importância da defesa da democracia, da soberania popular e dos direitos sociais diante de projetos autoritários que seguem ameaçando o país.


