Movimentos sociais rumo à Rio + 20

por Vitor Castro
do Ibase

Há um ano da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio + 20), que será realizada em julho de 2012 no Rio de Janeiro, o Comitê Facilitador da sociedade civil para a Rio + 20 realiza seu primeiro Encontro de formação como parte do processo preparatório para o evento Cúpula dos Povos da Rio + 20 por Justiça Social, que será realizado em paralelo ao evento oficial.

Na manhã desta quarta-feira (29/06), a diretora da Fase Fátima Melo apresentou um balanço do processo global desde a Conferência das Nações Unidas de 1992, a Eco-92, até o momento atual e as expectativas para a Rio + 20.

Na linha do tempo montada com a colaboração dos participantes, Fátima lembrou da realização do Fórum Global, paralelo à Eco-92, realizado no Aterro do Flamengo, considerado por ela a primeira semente de articulação mundial entre os movimentos sociais.

Embora tenha havido um processo de esvaziamento das mobilizações sociais durante a década de 1990, especialmente na América Latina – muitos países passavam pela redemocratização, mas sofriam uma grave crise econômica –, o Levante de Chiapas, no México, em 1994, representou um sinal de que existia resistência à hegemonia dos Estados Unidos e ao neoliberalismo. Mesmo nos Estados Unidos, explica Fátima, começava a ganhar força o Movimento por Justiça Ambiental, expondo as contradições do sistema vigente.

Foi também nos Estados Unidos que surgiu o maior levante popular da década, em 1999, durante reunião da Organização Mundial do Comércio em Seattle. Fátima lembra que esse levante daria início a um novo ciclo de ascensão da mobilização social, que culminaria na formação do Fórum Social Mundial, que teve sua primeira edição em janeiro de 2001, em contraposição à reunião do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos no mesmo período.

Em 2002, ano da Conferência da ONU realizada em Joanesburgo (Rio + 10) se dava o ápice da campanha contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Em 2003 inicia-se um novo ciclo de governos na América Latina com proposições antineoliberais, culminando na derrota da Alca em 2005. Apenas no Brasil, um plebiscito reuniu mais de 10 milhões de votos contra a Alca.

O Fórum Social Mundial realizado na Amazônia em 2009 (Belém-PA) serviu também para ampliar a discussão por justiça climática e a questão ambiental se tornou prioridade nos debates. Agora em 2011 as revoltas no norte da África e as manifestações na Europa dão o tom para o que podemos esperar da Cúpula dos Povos da Rio + 20 por Justiça Social.