Justiça 4.0 – Impacto da digitalização no Sul Global

Acaba de ser lançada a publicação “Justiça 4.0 – Impacto da digitalização no Sul Global”, de autoria de Thomas Fritz e Sven Hilbig, de Pão Para o MundoAct Alliance. A obra visa jogar luz sobre os impactos das novas tecnologias digitais, questionando até que ponto elas são capazes de ajudar na superação da pobreza e da desigualdade social nessas regiões.

“A digitalização parece trazer inúmeras oportunidades no Sul global:um aplicativo de previsão do tempo pode ajudar famílias de pequenos agricultores a alcançar maiores rendimentos, enquanto drones de carga entregam medicamentos vitais para moradores de áreas remotas, e impressões digitais prometem ajudar pessoas de baixa renda a obter acesso a serviços básicos. Mas a digitalização será capaz de atender às grandes expectativas de mudança no Sul global?” – essas são questões em debate na publicação.

Perigo do colonialismo digital

Inicialmente, os autores Thomas Fritz e Sven Hilbig analisam a história do comércio digital. Eles também analisam os desenvolvimentos atuais no âmbito do regime comercial mundial e mostram como, de forma quase silenciosa, uma nova dinâmica se desenvolveu na política comercial. A obra ressalta que não se trata mais apenas de reduzir tarifas de produtos digitais, como software, ou padrões uniformes para serviços de telecomunicações: “As patentes de inteligência artificial e a não regulamentação dos fluxos de dados agora também fazem parte dos regulamentos comerciais e são objeto de debates controversos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Para os países do Sul Global, muito está em jogo; inclusive o risco de um novo colonialismo digital” aponta a obra.

A publicação examina o que pode ser aprendido com supostos projetos emblemáticos, como o sistema de pagamento móvel M-Pesa, ou a disseminação do pagamento sem dinheiro na Índia. Os autores também examinam se a digitalização das cadeias de suprimentos transnacionais não apenas aumenta a transparência, mas também agrega valor aos trabalhadores nas plantações de chá ou soja.

Outra abordagem trata de como a digitalização pode ser projetada para beneficiar o bem-estar de todas as pessoas, sendo necessário  primeiro observar de que forma grupos desfavorecidos em áreas rurais da África ou habitantes de favelas em megacidades podem obter melhor acesso ao trabalho e aos serviços básicos recebidos.

Ao final,  o estudo aponta com nove propostas construtivas para criar uma digitalização justa. “Nossa proposta com ele é convidar os que buscam uma digitalização global justa e decente,  para que a gente possa avançar junto numa discussão produtiva” destaca Sven Hilbig.

Disponível apenas em inglês global_justice_4.0.pdf

Sobre os autores:

Sven Hilbig é coordenador de Políticas sobre Comércio Mundial de Pão Para o Mundo

Thomas Fritz é escritor especializado em políticas econômicas e desenvolvimento sustentável