ONGs debatem incidência do setor na COP25 e divulgam carta-manifesto

Documento foi elaborado durante encontro em Brasília.

A iniciativa foi do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (Núcleo RJ), com a parceria de ONGs como Ibase, Pacs, Koinonia e Fase, com apoio das agências de cooperação internacional Pão para o Mundo e Misereor.

 

Na manhã da última terça-feira (5/11), os participantes da oficina de Articulação da Sociedade Civil Brasileira na COP25 retomaram os trabalhos com o debate Como incidir na COP25: Informações sobre mobilização e espaços de participação de OSCs brasileiras. A mesa foi formada por Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental, Paloma Costa Oliveira, do GT Clima do Engajamundo, com mediação de Athayde Motta, do Ibase.

Em sua fala, Adriana sugeriu que a participação da sociedade civil brasileira na COP25 considerasse a Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, uma das principais decisões da COP21, de Paris. Para Adriana, essas comunidades garantem “um rico material com qual se pode agir” e “que pode fazer algum diferencial para o debate”. “As soluções para os problemas ambientais que estamos vivendo se dão no âmbito local a partir do intercâmbio de comunidades indígenas e tradicionais”, afirmou.

Como estratégias para incidência na conferência, Adriana propôs reiterar, nos discursos da sociedade civil, as negligências e manipulação do governo brasileiro, em relação aos incêndios na Amazônia e ao derramamento de óleo nas praias do Nordeste. “É importante que a gente reforce esses exemplos a fim de caracterizar para o mundo o que estamos vivendo com este governo autoritário”, ressaltou

Na opinião de Adriana, mesmo em pequeno número, é importante as organizações marcarem presença na COP25.  “A gente não precisa de volume de gente para fazer barulho em Madrid, mas é importante que tenha gente lá”, argumentou. “Dá pra marcar uma presença simbólica que paute o contexto atual do Brasil, de uma maneira simples e barata”, sugeriu.

Paloma Oliveira Costa deu detalhes da mobilização da juventude que se prepara para a COP25. Mesmo com o cancelamento da conferência no Chile, que impactou financeiramente a articulação e reduziu a quantidade de jovens na delegação, Paloma garantiu que estarão em Madrid, que irão pautar as questões da Amazônia e que irão “passar a mensagem a quem estiver lá”. “A gente não espera fazer uma manifestação silenciosa, não”, assegurou. Ela informou também que para viabilizar a ida de 12 jovens e cobrir os novos custos que a mudança de país gerou, foi criada uma campanha de financiamento coletivo online.

Paloma observou que a pauta climática tem mobilizado um grande número de pessoas, especialmente jovens. “A gente está crescendo e somos muitos”. Desde as primeiras mobilizações nas greves pelo clima, ela percebe uma maior adesão da juventude. “O que me deixa com muita esperança é que, nas primeiras greves pelo clima, éramos poucos. Depois, chegamos a 100 jovens”. Conforme Paloma, a agenda climática é percebida como um problema comum, o que lhe dá caráter de união. “A pauta climática mais une do que separa”, declarou a ativista.

Ao final da manhã de trabalhos, os(as) participantes da oficina também levantaram ideias e estratégias de mobilização da agenda, como fortalecer as propostas de coalizões pelo clima, fazer a articulação para a Greve pelo Clima em 29 de novembro, explicitar os impactos que estão acontecendo nos biomas e marcar uma presença, mesmo que pequena, na COP25, em Madrid.

Como resultado do encontro, os participantes redigiram a Carta-manifesto da oficina. carta_oficina_02.pdf.