A população cubana atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história recente. Em meio a uma crise econômica prolongada, a vida cotidiana na ilha tem sido marcada por apagões frequentes, escassez de alimentos, falta de medicamentos e aumento expressivo no custo de vida. Soma-se a isso a forte retração do turismo — uma das principais fontes de entrada de divisas no país — agravando ainda mais a situação social.
Os impactos do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos seguem sendo determinantes nesse cenário. Ao restringir o acesso de Cuba a mercados, insumos e transações financeiras internacionais, a política de sanções contribui diretamente para o aprofundamento das dificuldades enfrentadas pela população, penalizando sobretudo os mais vulneráveis.
A crise energética, em especial, foi intensificada pela perda da Venezuela como principal fornecedora de petróleo para a ilha. Historicamente responsável por uma parcela significativa do abastecimento energético cubano, o país sul-americano teve seu fluxo interrompido após ações do governo de Donald Trump sobre o setor petrolífero venezuelano, o que agravou drasticamente a escassez de combustível e contribuiu para o colapso parcial do sistema elétrico cubano .
O resultado é um quadro alarmante, com sinais crescentes de insegurança alimentar, deterioração dos serviços básicos e limitações severas no sistema de saúde. Trata-se de uma conjuntura que exige atenção urgente da comunidade internacional e levanta o alerta para o risco concreto de uma crise humanitária.
Diante desse contexto, o Ibase manifesta sua solidariedade ao povo cubano, que resiste diariamente a condições adversas que extrapolam sua capacidade de resposta interna. Reafirmamos a importância do respeito à autodeterminação dos povos e à soberania nacional como princípios fundamentais das relações internacionais.
Nesse sentido, o Instituto também se posiciona contra qualquer tentativa de intervenção externa na ilha, como as recentemente sinalizadas por Donald Trump. Medidas dessa natureza não apenas agravam tensões, como também representam violações ao direito internacional, aprofundando ainda mais o sofrimento da população.
É fundamental que a comunidade internacional avance no debate sobre o fim de medidas coercitivas unilaterais e na construção de caminhos de cooperação que priorizem a vida, a dignidade e os direitos humanos.


