Seminário sobre BNDES pensa política de financiamentos do Banco

Quando, em setembro, o presidente Michel Temer sancionou a lei que mudou a taxa de juros do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), o atual governo deu um recado claro: a política para o Banco não será mais a mesma que a de outros governos e deve aproximar o BNDES mais do mercado do que da sociedade.

Diante dessas mudanças e de todo o enfraquecimento e diminuição das funções do Banco nas políticas públicas brasileiras, o Ibase realizou, nos dias 13 e 14 de novembro, no Rio de Janeiro, o seminário “BNDES e financiamento de longo prazo: Para qual modelo de desenvolvimento?”.

No segundo dia do seminário, os participantes foram convidados a ser reunirem em grupos de trabalho para debater e levantar pontos estratégicos relacionados ao BNDES

Entre os principais objetivos do debate, estava a reflexão sobre qual o papel estratégico queremos para o BNDES. Neste contexto, alguns pontos fundamentais que envolvem atuação do Banco foram levantados. As PPIs (Programas de Parcerias e Investimentos) e as PPPs (Programas de Parceria Público Privadas), os investimentos chineses no Brasil e as relações do Banco com as agências multilaterais de financiamento estiveram em pauta na conversa entre representantes de diversas entidades e movimentos presentes no evento.

Graciela Rodrigues, do Instituto Equit, afirma que é necessário entender as conjunturas nacional e internacional para pensar sobre o BNDES. “Estamos vivendo um redesenho da geopolítica global. Por isso, é preciso perguntar: qual o modelo de desenvolvimento temos apostado? E qual queremos?”, questiona.

A necessidade de compreensão e ação sobre o atual momento político e econômico do país também esteve na fala de Rogério Paulo Hohn, da coordenação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Ele destaca que, apesar de não concordar com parte da política de financiamentos adotada pelo Banco nos últimos anos (com o aporte a grandes obras de hidrétricas, por exemplo), o momento é de defesa do BNDES e de busca por um Banco que, realmente, trabalhe para um desenvolvimento que seja sustentável e que favoreça a todos. “Estamos em um momento de desmonte. E, por isso, seminários como esse são importantes. Aqui, podemos dialogar e também criar forças para defender uma atuação do BNDES mais humana”, resume Rogério.

Para Francisco Menezes, coordenador do Ibase e responsável pela articulação do Seminário, a importância desse encontro se dá pela possibilidade reconstruir as articulações e aprofundar as questões que envolvem o Banco. “Havia uma longa trajetória antes construída, primeiro com Plataforma BNDES e depois com o chamado Fórum de Diálogos BNDES e Sociedade Civil. Compreendíamos que se essa trajetória teve conquistas e trouxe avanços, mas também revelou nossas fragilidades, como é natural. Verificamos, também, que com o novo contexto surgiram outros atores com incidência sobre o Banco, por suas mobilizações e propostas. E, por isso, tudo, este seminário se torna um momento importante sobre o BNDES que queremos”.

O seminário “BNDES e financiamento de longo prazo: Para qual modelo de desenvolvimento?” foi realizado com apoio da Fundação Mott e da Fundação Ford.