Intervenções urbanas em favelas serão debatidas em live do Ibase

Dia 17 de setembro, das 17h às 19h, acontece mais uma edição do “Ciclos Ibase”. Arquitetos e militantes de comunidades cariocas farão suas análises sobre programas como o Favela Bairro, PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)  e outras ações do poder público para melhorar as condições de vida em territórios e periferias.

O debate tem como objetivo avaliar essas estratégias e discutir as demandas das comunidades, diante do anúncio da volta do Favela Bairro como programa da Prefeitura do Rio. A transmissão será ao vivo, pelo Facebook e Youtube do Ibase, com participação do público por meio de perguntas e comentários. 

Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU/RJ é um dos parceiros da iniciativa e será representado por seu presidente Pablo Benetti, ganhador com seu escritório de arquitetura dos concursos Rio- Cidade, Favela- Bairro e Morar Carioca, além de autor de obras sobre a requalificação urbanística do Complexo do Alemão e o programa Minha Casa Minha Vida 

Representando as áreas onde moram, também participam Itamar Silva, da favela Santa Marta, em Botafogo, militante histórico do Movimento de Favelas do Rio de Janeiro e presidente da Associação Escola Sem Muros – Grupo Eco; e Patrícia Evangelista, liderança comunitária da favela de Manguinhos.  A deputada Monica Francisco (PSOL/RJ), ex-moradora do Morro do Borel e com larga atuação em projetos comunitários; a presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiroarquiteta Isabel Tostes; e a pesquisadora Eliane Sousa Silva – diretora da ONG Redes de Desenvolvimento da Maré completam o grupo de debatedores(as). A mediação será de Sandra Jouan, assessora da direção do Ibase 

O encontro é uma contribuição do Ibase para ampliar a agenda pública de debates sobre cidadania, direitos e participação. Mensalmente, são convidados diferentes especialistas e representantes da sociedade civil para juntos analisarem questões da conjuntura política e social do país e das cidades onde estão inseridos.  

 

Saiba mais 

O programa Favela Bairro trouxe a ideia de reurbanização de favelas, em oposição à agressiva e falida política de remoções. Iniciado em março de 1994, o Favela-Bairro reforçou a concepção urbanística de Carlos Nelson dos Santos e sua experiência em Brás de Pina, zona norte do Rio. Em sua primeira fase, com recursos municipais, foram realizadas obras de urbanização em 22 favelas. Em seguida um contrato de empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, permitiu ampliar de forma significativa o programa. Uma particularidade foi a promoção de concurso organizado pelo IAB para avaliar e selecionar metodologias de intervenção em favelas propostas pelos escritórios de arquitetura. 

Recentemente, a prefeitura do Rio oficializou a intenção de implantar a quarta etapa do programa, que além de urbanizar favelas e loteamentos, pretende ter como diferenciais moradias sustentáveis, com energia solar e tetos verdes, por exemplo, e a inclusão de políticas como a geração de renda e o combate às desigualdades raciais e de gênero. O prefeito do Rio Eduardo Paes assinou uma carta de cooperação técnica com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que poderá investir até US$ 150 mil (R$ 750 mil) em levantamentos para subsidiar o desenho do projeto. Como próximo passo, o município formará um grupo de trabalho, com diferentes órgãos, a fim de realizar o estudo social para definir que áreas receberão os investimentos. Segundo a Secretaria municipal de Habitação, quando os planos forem aprovados e as obras começarem, a expectativa é que sejam movimentados US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) para melhorias nos territórios mais vulneráveis, reduzindo um déficit habitacional que passa das 220 mil moradias.  

Sobre os(as) participantes 

Pablo Benetti – arquiteto urbanista, mestre em Planejamento Urbano e Regional e PhD em Estruturas Ambientais Urbanas. Foi diretor da FAU/UFRJ (Faculdade da Arquitetura e Urbanismo) e ganhador dos Concursos Rio-Cidade, Favela- Bairro e Morar Carioca. É membro do Conselho Superior do IAB e presidente do CAU-RJ. 

Isabel Tostes –arquiteta, funcionária pública municipal aposentada desde 2016, mas continua atuante  nos assuntos que se relacionam com a cidade. Foi vice-presidente do CAU/RJ (2018-2020), foi integrante do Conselho Superior do IAB/RJ (2016-2019) e no momento está como presidente da Seaerj (Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro). É conselheira do Ibase desde 2018. 

Itamar Silva – formado em Comunicação Social. habilitação Jornalismo, morador da vavela de Santa Marta e presidente da Associação Escola Sem Muros – Grupo Eco. Ativista social, militante do Movimento de Favelas do Rio de Janeiro desde o final dos anos 70 e ex-diretor do Ibase. 

Eliana Sousa Silva – ativista, diretora da ONG Redes da Maré, coordenadora da campanha “Maré diz não ao coronavírus” e professora visitante do Instituto de Estudos Avançados da USP. Paraibana, chegou à Maré na adolescência e viveu na favela Nova Holanda por 30 anos. 

Patrícia Evangelista – Integrante da ONG Mulheres de Atitude e liderança da favela de Manguinhos. 

Monica Francisco – cientista social, pastora, feminista, militante dos direitos humanos, comunicadora popular e política brasileira, deputada eleita à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pelo Psol em 2018. Foi assessora da vereadora Marielle Franco._