A morte de Marielle Franco e a onda de calúnias sobre a vereadora

Se já não fosse suficiente a violenta execução que matou Marielle Franco e Anderson Gomes, a vereadora do PSol passou, após a sua morte, a ser difamada nas redes sociais. Um estudo da FGV, feito no dia seguinte ao assassinato, mostrou que, nas redes, as mensagens difamatórias representam 7% das postagens. No entanto, mesmo que em minoria, o ódio e o preconceito destilados com mentiras constituem crime de calúnia. Por isso, o Ibase reúne aqui alguns argumentos para colaborar neste debate.

Quinta vereadora mais bem votada na última eleição municipal do Rio de Janeiro, Marielle teve votação em todas as Zonas Eleitorais da cidade. De acordo com dados do TRE, 32% dos eleitores da vereadora são provenientes de bairros como Jardim Botânico, Laranjeiras, Copacabana e Catete. Na região da Favela da Maré, onde Marielle nasceu e cresceu, ela recebeu 187 votos.

Marielle Franco em roda de conversa realizada no Ibase, em 2017 (Foto: Marina S. Alves)

Os Direitos Humanos são a bandeira do Ibase, assim como eram de Marielle. Como o próprio nome diz, a definição de Direitos Humanos é simples: são os direitos básicos de todos nós, seres humanos. Entre alguns desses direitos, celebrados e registados na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, estão o direito à vida, à liberdade, à liberdade de opinião, ao trabalho, à educação, à crença religiosa.

Muitos dos que questionam a defesa desses direitos afirmam que os DH “defendem bandido”. Algo que está longe da realidade. Defender os direitos humanos tem a ver com democracia e com a busca por uma sociedade que viva longe da barbárie. É defender a cidadania de todas e de todos, independentemente de quem seja. Um exemplo disso foi a atuação de Marielle Franco como assessora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio. Lá, a vereadora auxiliou familiares de policiais assassinados, conforme relatos de parentes dessas vítimas, assim como outras cidadãs e cidadãos que tiveram seus direitos violados.

Vale lembrar ainda que descobrir se uma notícia é falsa é simples. Abaixo, indicamos alguns caminhos:

– procure fontes de informação reconhecidas por todos como seguras. Por trás delas, há equipes de verificação e apuração dos fatos. Sites jornalísticos como do El País (brasil.elpais.com), Nexo Jornal (nexojornal.com.br), The Intercept Brasil (theintercept.com/brasil/), Brasil de Fato (brasildefato.com.br)  e Extra (extra.globo.com), estão fazendo trabalhos bastante cuidadosos em relação à execução de Marielle. Em nossas redes sociais, sempre compartilhamos informações que vêm dessas organizações.

– o site boatos.org trabalha cotidianamente para ajudar a desvendar as fake news que costumam viralizar nas redes. Basta um clique para saber se algo noticiado é falso ou verdadeiro.

E como agir diante de uma notícia falsa em relação à Marielle e Anderson? Caso veja algum post de difamação, se possível, tire um print da mensagem e denuncie através do site mariellefranco.com.br/averdade. Lá também está disponibilizada toda a verdadeira história da vereadora.

O Ibase, assim como diversas outras instituições da sociedade civil, pede rigor nas investigações sobre o assassinato de Marielle. Pede também respeito à sua história, à sua família, à sua memória