Intervenção federal: em 2002 Ibase trazia debate sobre práticas da segurança pública no Rio

Capa da edição n°12 da revista Democracia Viva

“Diante do medo, diante da insegurança … posso, inclusive, aceitar propostas repressivas, retrógradas, autoritárias, conservadoras, em razão de um discurso de agravamento do temor que possam justificar ações”. A frase, que parece atual, foi dita em 2002 pela professora da Universidade Federal Fluminense, Jacqueline Muniz. Trecho de um debate realizado pelo Ibase, a fala da professora se dá em uma conversa com  o Coronel da reserva da Polícia, Jorge da Silva, sobre a atuação das polícias e a segurança pública no Rio de Janeiro .

Publicados na revista Democracia Viva n°12, vários pontos do debate dialogam com os dias atuais, em que o Rio vive o início de uma intervenção federal com ocupação militar.

Com o aumento da sensação de insegurança, o governo de Michel Temer decretou, em 16 de fevereiro, que caberá às Forças Armadas cuidar da segurança no estado do Rio. Força truculenta que, em 2002, a professora Jacqueline Muniz já destacava ser ineficiente para tal função. “A condição de produzir alternativas pacíficas de obediência à lei é a existência da polícia, sua razão de ser. Isso já responde em parte por que o Exército não faz sentido nesse universo”, disse Jacqueline.

No debate, o Coronel Jorge da Silva também concordou de que é preciso pensar a segurança pública de forma não violenta e de que o discurso da truculência faz com que as forças policiais sejam antidemocráticas e desonestas. “Esses, que sempre usam a força para resolver problemas sociais, um dia descobrem que podem resolver o próprio problema usando a força. O elefante descobriu que pode ser dono do circo”, ressaltou o coronel.

Debate publicado na revista Democracia Viva em 2002 com a professora Jacqueline Muniz e o Coronel Jorge da Silva

Em entrevista à Globonews na última semana, Jacqueline deixou claro que a intervenção federal, através da ocupação militar, que será realizada no Rio de Janeiro, não é benéfica ao estado ou à população.