Ibase lança cartilha sobre portos no Rio Tapajós

 

O debate sobre a construção de portos na região norte do Pará para o escoamento da produção de soja vinda do Mato Grosso, em sua maioria, está colocado na cartilha, disponível para download, “Portos no Rio Tapajós: O Arco do Desenvolvimento e da Justiça Social?“, desenvolvida pelo Ibase.

Para Jane Silva, articuladora do Ibase no Pará e que colaborou na elaboração da cartilha, a discussão sobre esses empreendimentos se faz necessária por eles impactarem diretamente na vida dos moradores da região.”A construção desses terminais portuários está deslocando dezenas de famílias ribeirinhas das margens do Rio Tapajós, reduzindo a pesca artesanal e desestruturando áreas residencial de Miritituba, além de avançar para outras comunidades rurais. E, caso se confirme a implantação dos 26 portos previstos, as terras entre a margem direita do rio Tapajós e a BR 163, serão todas reconfiguradas e colocadas a serviço da logística de exportação da soja e  futuramente madeira e minério”, destaca Jane.

Em entrevista para o site do Ibase, Jondison Rodrigues, autor da cartilha, defende que o chamado “Arco Norte”, (projeto do Estado brasileiro que prevê a construção de estradas, ferrovias e portos no estado do Pará), funciona “em sinergia com os setores empresariais do agronegócio”, o que já demonstra quem são os grandes beneficiários da construção de portos e outras obras consideradas de infraestrutura para o escoamento da produção agrícola local. “O projeto Arco Norte pretende criar e incorporar novos objetos e a renovação dos sistemas de engenharias, como também a ampliação territorial ou a conexão ao circuito produtivo internacional de commodities; tudo isso como resultado de um conjunto de condições técnicas e políticas forjadas”, ressalta Jondison.

A cartilha “Portos no Rio Tapajós: O Arco do Desenvolvimento e da Justiça Social?” será lançada dias 19 e 20 de setembro, nos municípios de Itaituba e Rurópolis, no Pará, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra – CPT , o Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB,  e a organização Terra de Direitos.